O início do movimento pentecostal no Brasil é marcado por milagres em que o agir de Deus foi uma constante em todos os momentos dessa obra, a começar pela escolha, por Deus, do Estado do Pará para uma tão grande obra. Totalmente desconhecido da Europa e dos Estados Unidos, aos olhos humanos este seria o lugar mais inadequado para se iniciar o maior movimento pentecostal do Brasil e do mundo. Encravado no meio da selva amazônica, o Pará era, naquela época, um dos estados mais pobres do nosso país e muito distante dos grandes centros econômicos e mais desenvolvidos da nação. Além disso, o clima e as doenças tropicais da Amazônia eram torturantes para um europeu, acostumado com temperaturas amenas e longe de doenças como a malária e outras. Mas foi o lugar escolhido por Deus e restou aos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren atender ao mandado do Mestre e aqui aportarem em 1910 para iniciar essa tão grande obra.

         

Daniel Berg e Gunnar Vingren


            Não foi diferente o que aconteceu com a história da Assembleia de Deus em Terra Santa. Somente compreendendo que o nosso Deus é um Deus de mistério e que seus desígnios e pensamentos são inescrutáveis, é possível entender porque este lugar, tão pequeno e insignificante, foi escolhido por Ele para ser o berço do movimento pentecostal assembleiano em toda a região do Baixo Amazonas, sendo este o 9º trabalho fundado pela Assembleia de Deus em todo o Estado do Pará.


           Tudo começa em 1918, quando um ourives pernambucano chamado João Ferraz, alcançado e contagiado pela maravilhosa graça de Deus, através da pregação dos pioneiros Daniel Berg e Gunnar Vingren, chega a este município, mais precisamente no lugar denominado Boca do Cachimbo, às margens do Rio Nhamundá, o lendário rio das Amazonas. Trazendo as boas novas de salvação, João Ferraz é bem recebido pelos proprietários do local, João Paulo Nogueira e Teresa Bentes Nogueira e toda a sua família rendem-se aos pés de Cristo, aceitando-o como o seu único e suficiente salvador. Começa aqui a comovente história da Assembleia de Deus em Terra Santa e também em toda a região do Baixo Amazonas, pois esta foi a primeira Assembleia de Deus fundada na região. De volta a Belém, João Ferraz noticia o fato aos pioneiros Gunnar Vingren e Daniel Berg que o recebem com muita alegria. 


Teresa Bentes Nogueira


           Em 1920, enviada pelos pioneiros e movida por íntima compaixão e amor pelas almas, chega à Boca do Cachimbo a irmã Celina Albuquerque, primeira crente brasileira a ser batizada com o Espírito Santo. Aqui vem passar uns dias, discipulando os novos convertidos e ganhando outras vidas para Cristo. Para estas visitas, irmã Celina conta com o apoio de seu esposo Henrique Albuquerque e assistência do Pr. Adriano Nobre de Almeida, ambos funcionários  da Companhia “Port of Pará”, empresa responsável pela navegação fluvial na calha do rio Amazonas.    


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                                                                                                  Celina Albuquerque


           No mesmo ano de 1920, exatamente no dia 14 de outubro, cheios do amor e da graça de Deus, que ardiam em seus corações, chegam a este lugar, vindos de Belém, no navio a vapor Júpiter, os missionários Gunnar e Frida Vingren, acompanhados de seu filho Ivar Vingren.    Nesta ocasião são realizados os primeiros batismos em água, consolidando, assim, o início do movimento pentecostal assembleiano, nesta região do Estado do Pará. Esse fato é contado com detalhes no livro “Frida Vingren, Uma biografia da mulher de Deus, esposa de Gunnar Vingren, pioneiro das Assembleias de Deus no Brasil”, (2014, p.53).


            Embora muito distante de Belém, cerca de 890 Km, e com o acesso muito difícil, o trabalho fundado na Boca do Cachimbo continua a receber visitas dos pioneiros. Nas primeiras décadas após a fundação, além dos pioneiros Gunnar Vingren, Frida Vingren e Celina Albuquerque, outros também visitam o trabalho: Pr. João Pereira Queiroz, Pr. Adriano Nobre, Pr. Samuel Nystrom, Pr. Nels Nelson, Pr.  Josino Galvão de Lima, Pr. Antônio Tibúrcio Filho e Pr. Manoel César da Silva.